"Um rapaz muito solitário chegou um dia a pensar que era louco. Bastou, em suas andanças, encontrar outras pessoas que tinham a mesma viagem, que poderia parecer loucura aos olhos dos velhos, para ele perceber, sem muito esforço e com um tesão danado, que a loucura dele havia se transformado em fé."

Toda comunicação é uma tentativa de levar alguém a agir. Esse blog também. Incorporar dará mais vôo que compreender. Escute-se, porque tu é mais importante que eu.

"Que estranhas cenas descreves. E que estranhos prisioneiros. São iguais a nós." (Platão)

"Biografia do orvalho (Manoel de Barros)
A maior riqueza do homem
é a sua incompletude.
Nesse ponto sou abastado.
Palavras que me aceitam como
sou - eu não aceito.
Não agüento ser apenas um
sujeito que abre
portas, que puxa válvulas,
que olha o relógio, que
compra pão às 6 horas da tarde,
que vai lá fora,
que aponta lápis,
que vê a uva etc. etc.
Perdoai
Mas eu preciso ser Outros.
Eu penso renovar o homem
usando borboletas."

xiruss@gmail.com 
Xiru no Orkut  
   

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30.12.08
Paulo Cesar Scherer

Texto criado por mim, para leitura na despedida de meu pai (Paulo Cesar Scherer), que encontrou a paz no dia 28 de novembro de 2008. Em nome da "família Sander Scherer".

"A verdadeira dimensão de um homem vem do modo como ele trata quem não pode fazer nada por ele"


Eu tive algumas demoras pra descobrir o pai que tinha. Muitos valores dele eu percebi só quando outras pessoas me contavam algum caso em que ele era protagonista.

Uma vez eu estava comprando pão e alguém reconheceu o rosto do pai em mim. E começou a me falar do quanto gostava do Paulo. Disse que achava ele muito simpático e gentil. Disse que dele sempre recebeu uma atenção que as outras pessoas do dia-a-dia esquecem de dar. Esta pessoa o conhecia dos acasos, de se cruzarem na rua, de curtos diálogos aqui e ali.


Depois desta, muitas outras pessoas me pararam nas ruas e falaram do pai.

Algumas contavam que na Sander ele era um patrão que batalhou muito pela dignidade dos funcionários. Não só através de seus conhecimentos em Medicina do Trabalho, mas também incentivando e ajudando, através da firma, os funcionários que quisessem estudar, desde a alfabetização até cursos técnicos e Ensino Superior.


Se muitas pessoas já vieram me contar do quanto o pai ajudou na vida de dezenas de funcionários, maior ainda é o número de pacientes, colegas de Medicina e funcionários do Centro Médico que me testemunharam a intensa e fraterna dedicação do Dr. Paulo. "O teu pai sempre atende os pacientes no horário marcado", disse um colega de décadas de trabalho. E dum paciente ouvi: "Eu passei por três médicos sem que nenhuma descobrisse o meu problema. Até que consultei com o Paulo. Ele foi o único que me examinou me tocando com as mãos, e assim ele descobriu minha doença e me curou".


A Medicina era a vocação óbvia pra este ser humano que trazia uma espontânea vontade de ajudar as pessoas com quem convivia.


Ao final da última longa conversa que tivemos, o pai, já muito enfraquecido, me instruiu, mais uma vez, alguns dos valores que nortearam sua vida:

-- Tem que ser honesto, com dignidade. Tratar as pessoas o melhor possível e sempre ajudar quem a gente puder, -- ele me disse.

Falar isto é fácil, fazer é bem difícil. Mas muita também foram as pessoas que, ao longo da minha vida, me afirmaram que o pai era a pessoa mais correta e honesta que conheciam.


O pai carregou no peito muita compaixão às pessoas e, por que não dizer, às plantas e aos animais. Acho que a esta ânsia de ajudar com tamanha compaixão podemos chamar de amor. Onde ele ajudou, ele amou.


Nos últimos anos eu queria muito que o pai reduzisse o ritmo de trabalho e fosse, junto com a mãe, "aproveitar a vida". Faz poucos meses que descobri que ele vivia muito mais do que eu imaginava.

Ele amou intensamente tudo o que fez. Ele amava ir pra fábrica, porque lá batalhava como poucos o sustento da nossa família e, com a mesma dedicação, o sustendo dos funcionários.

Ele amava sentir que um paciente passou a viver melhor com o tratamento realizado.

E ele amava toda aquele infinidade de pequenas arrumações que eternamente fazia na chacra. Este era e é nosso lugar de cultivar o companheirismo e a comunhão com a natureza, em especial com os pássaros, que cantavam durante os passeios que ele dava pelos matos da Lomba. (Aliás, acho que era de saudade da chacra que ele às vezes assobiava dormindo no hospital, sonhando com uma das maiores realizações de sua vida. Um sonho que ele viveu intensamente com a família e amigos).

Nós, filhos, sempre soubemos que a Lomba (sítio) fez muita diferença na nossa vida, principalmente na infância. Um lugar mágico, que ganhamos dos pais e está muito presente na nossa personalidade.


O chimarrão que o pai me ensinou a fazer tomávamos nos curtindo no calor do fogão à lenha. Ali o núcleo familiar ganhava corpo, cheiro e era percebido como algo maravilhoso. E neste santuário nós convivemos com os mais queridos familiares e os mais fiéis amigos – tanto os amigos que levamos pra lá quanto os que já estavam lá e se tornaram vizinhos.


E, como na chacra, o pai semeou amizades por tantos lugares e olhares que cruzou. Amigo dos amigos dos filhos, amigo dos amigos da esposa e apaixonado pelos companheiros com quem cada um dos filhos forma hoje um casal.

Amigo dos colegas, funcionários e de pessoas que contratava para trabalhos temporários. Muito amigo da pessoa que nem ele nem ninguém da família consegue chamar de empregada: nós preferimos Dinda.

E foi depois da visita dela que eu e o pai conversamos sobre a alegria que é estarmos rodeados de pessoas maravilhosas. E concluímos que isto é reflexo dos valores que nós temos, semeamos e colhemos.


De muitas pessoas ouvi a frase "Teu pai, o Tio Paulo, é como um pai pra mim". E nós, filhos, temos amigos para quem nossa família é o segundo lar. Esta nossa convivência risonha e franca com os amigos era um dos maiores prazeres do pai. Eram os momentos de compartilhar com outras pessoas a batalhada e bela família que ele construiu junto com a alma gêmea que ele teve a felicidade de encontrar.

Esta família que eles moldaram. A família que ele ganhou de berço e a que ganhou no casamento eram, afinal, a sua paixão diária, sua preocupação e orgulho a cada minuto que viveu.

E bota viveu nisso! Viveu, muitas vezes e sempre bem acompanhado, como um herói pros amigos e familiares, mas em especial pros filhos.

E foi lutando assim, muito, que ele passou todo este ano que já vai tarde. Uma longa, comovente e impressionante recuperação da cirurgia. A imagem mais linda que tenho dele é da cara de criança faceira que ele fez quando, com incentivo dos filhos, se encorajou e tomou o primeiro gole dágua com o novo esôfago.

E de lá pra cá foi muita luta. Eu cheguei a escrever por aí que tanta chuva que anda assolando o Sul do país é das choradeiras de arrependimento que algum deus está sentindo por ter deixado acontecer o sofrimento de alguém tão bom. Talvez por pura falta de atenção.


Se minha brincadeira estava certa ou não, só saberemos noutra vida. Mas o que sabemos agora é que este Ser Humano que hoje se despede é um exemplo de dedicação à vida, a sua e a dos outros. Um grande amigo que viveu intensamente e batalhou muito, até o último instante, quando sua vida se transformou e ele se despediu do seu corpo de maneira tranqüila e acalentadora. E isto é um grande motivo pra sorrirmos.


Posted at Tuesday, December 30, 2008 by Xiru Sander Scherer
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6.11.08
Quando deus chora

Quando deus chora

 

Todo mundo aqui pelo Sul ta comentando que ultimamente tem chovido demais. De deixar milhares desabrigados. Por exemplo:

http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL729270-5598,00.html

http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u470958.shtml

http://www1.folha.uol.com.br/folha/especial/2008/chuvaemsantacatarina


E hoje, obviamente, chove. Chove muito, e é porque deus chora. De arrependido, de remorso. Deus chora de tristeza.


Decerto por falha de desatenção, 'Ele' atingiu o homem errado. Atingiu um dos melhores dentre os Bons. Muito antes da hora devida, muito antes de ele dar força pra mais muita (muita) gente. E, pior de tudo, atingiu da maneira dolorosa.

Até deus deve estar chorando desta pisada na bola que deu.

 

(e dessas, acontecem milhares diariamente. Só sendo "o Eterno" mesmo pra ter tempo suficiente pra chorar tantos absurdos que cometeu)

 

('Ele', quem sabe, significa 'nós todos')

Posted at Thursday, November 06, 2008 by Xiru Sander Scherer
7 reclames  

27.5.08
Funciona que nem tempero!

Funciona que nem tempero!

-- De vez em quando eu coloco essa pra pegar Sol.

Ela é bastante porosa, e prende muita umidade. Dai fica um cheiro ruim quando a gente bebe...

-- Má!! É igualzinho à mãe dele! Sente cheiro em tudo! Não não não...



Eu tava falando sobre uma cuia, mas serve pra roupas, objetivas, travesseiro, pele, alma.

Posted at Tuesday, May 27, 2008 by Xiru Sander Scherer
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9.5.07
A inescrupulosa construção de um futuro humanóide frustrado

A inescrupulosa construção de um futuro humanóide frustrado

Eu queria mesmo era um texto que gritasse. Berrasse, forte, rasgando mesmo.
Um grito pra um dia alguém ouvir na hora que estiver sob pressão pra se tranformar em mais um presunto acéfalo na sociedade. E esse alguém vai se sentir menos sozinho ao me ouvir.
Deixar aqui esse tal grito, porque um dia alguém vai se sentir completamente incompreendido e isolado pela indiferença das pessoas que se moldam pra caber nas ridículas regrinhas de normalidades. Falaciosas regras. Falaciosas certezas. Mas que todo mundo pactua e quem tenta ser autêntico, vira um bicho ezkizyktu.
E dai olham feio
e dai já é feio
e já chinelo
e já é rejeitado
e já é
e já
e o bicho vai praquele redemoinho que as paredes do quarto ficam girando em volta, oprimindo
e nem os pais vão dar bola pra agonia,
porque a TV e a Caras disseram que essa rebeldia é uma vírus e
e?? E ELES ACREDITARAM!!!! Inacreditavelmente.... ÓBVIO!
(afinal, estamos falando dos sapiens sapiens)
Então eles mesmo vão ajudar a girar mais rápido ainda, pra tu tontear até vomitar tudo que tiver de autenticidade e sonhos puros e desejos alegres.
E todo mundo vai concordar, é isso aí mesmo, tu tem que apanhar
apanhar
apanhar
dos olhares
das opiniões alheias
da reprovação dos colegas
e apanhar mais e mais
até aprender que tu não tem que ficar nessa bobagem que acreditar em ti mesmo.
E daí tu desacredita
e tudo fica mais fácil
As menininhas que querem a segurança duma vida padronizada vão olhar pra ti.
Os menininhos que querem uma menininha acomodada e submissa vão olhar pra ti.
Os patrôes que querem foder com os empregados vão olhar pra ti.
Os amigos que querem sugar vão olhar pra ti.
Os caça-talentos que querem usar as pessoas e o planeta vão olhar pra ti.

Se tu não fizer isso, alguém fará. Então foda-se né?? Vamos foder com tudo, o mundo já ta sucumbindo mesmo, e a humanidade já adotou a esculachação compulsiva de egos alheios como ideal de vida. Vamos jogar um balde de água na boca de quem tá se afogando! Rá rá rá!! Filho da puta! Quem mandou pensar??


Por isso eu queria gritar aqui. Pra ver se alguém mais se lembra que isso tudo é uma tremenda canalhice que fazem com a consciência crítica da gente.
Pra lembrar que antes de foder com o planeta e pisar em inocentes, tem que foder com quem tá te sacaneando e pisar em quem tentar te incumbir a ser o que tu não é.

Posted at Wednesday, May 09, 2007 by Xiru Sander Scherer
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21.4.07
A função da química que o cérebro tem

A função da química que o cérebro tem

Pode ser que seja só mais um fogo de palha ou só mais uma mentira.



Mas ele não se importaria.
Mas ele se importaria, mas isso não lhe importava.

Posted at Saturday, April 21, 2007 by Xiru Sander Scherer
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24.2.07
sem p�

Sem pé



Cuidado!!!
Os seres azuis estão chegando!!!
Tranquem seus corações!!
Escondam os puros ou puristas!!
Tapem os olhos das crianças, não deixem que elas vejam que podem ser diferentes!!
E,
acima de tudo,
coloquem os chocolates no bunker!!.... =P

Posted at Saturday, February 24, 2007 by Xiru Sander Scherer
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15.3.06
o recado magico

""Chove muito e venta bastante..."

O Recado Mágico

Uma Amiga, Um Amigo, um Pai meio tresloucado e um gato azul...

 Era uma vez uma guria, que teria uma história bem longuinha para contar, mas ela prefere começar com uma cena importante daquelas de não muito tempo atrás. O resto que vem antes fica melhor n'outra hora; assim como fatos importantes mas que não fazem parte deste capítulo também ficarão para o logo mais...

 Bem, voltando à nossa guria, ia ela pelas ruas de uma cidade, que hoje ela sabe exatamente o que sente por essa cidade, mas naquele dia não, não sabia nada, nada do que sentia, mas alguma coisa teria que mudar, alguém tinha de aparecer...

 E então que surge uma outra guria, uma guria linda, elas até se conheciam, mas foi naquele dia que o pacto foi traçado, foi daquele dia em diante que tudo seria diferente...

 Essa segunda guria tinha a cura, a cura para o vazio de nossa protagonista, o fim das dores e dos soluços mudos... E um dia ela veria que tudo tinha sido e seria para sempre muito mais profundo que isso...

 Dizia ela à nossa amiga que numa cidade não muito distante, mas também não tão perto como gostaríamos, viviam seres encantados, um grupo fabuloso de guris maravilhosos e que eles seriam seu alento, assim como já o haviam sido para ela também...

 Aquela era a solução, era disso que ela precisava, de seres mágicos, capazes de fazê-la sorrir...

 Assim mesmo naquela noite elas conversaram pelo telefone com o elo mais forte daqueles seres mágicos...

 A nossa guria e este guri conversaram muito e descobriram que já se conheciam mesmo sem nunca terem se visto...

  E conversaram... muito.
  E telefonaram-se... várias vezes.
  E escreveram... milhões de coisas...
  E de repente nunca falaram do mais importante... (mas isso também é para outra hora).


 Eles se conheceram pessoalmente e se afinaram cada vez mais...

 Só que eles não viveram felizes para sempre... não por enquanto...

 A distância, a distância que só esta guria conseguiria explicar...

 E um dia ela ainda há de explicar...

("Chove em seu rosto também... mas isso lava sua alma...")

 A coisa mais concreta para esta guria neste momento é que aquele guri é uma das três pessoas (de uma certa classe) mais importantes pra ela, e que mesmo que a distância , o silêncio queiram dizer o contrário, os sentimentos são muito, mas muito mais fortes...

 Bem, ela se afastou de muita coisa, mas ele não, ele é um ser mágico, o elo mais forte nunca se rompe. Ele sempre manteve contato, mesmo que indiretamente...

 E qual não foi a surpresa desta guria quando ela chega em casa, num certo dia (na casa de seus pais), onde ela havia deixado seu gato branco Nicolas, que de mágico não tinha nada, e o encontra COMPLETAMENTE AZUL?

 Aquele guri, aquele ser mágico, havia corrompido seu pai, que parecia ter 15 anos, e juntos, um com a tinta outro com a mão de obra, haviam transformado o gato num recado mágico, num chamado a vir a tona...

 Nicolas parecia saído das páginas de um gibi...

 Aos poucos o recado foi enfraquecendo, junto com o azul da tinta, mas para que a guria nunca se esqueça de como ele era importante, ela registoru... na máquina fotográfica, na memória e no coração...

 Aos poucos ela está voltando...

 Existem coisas das quais não se consegue fugir, uma delas são os seres mágicos. "

PS: essa carta recebi de uma grande amiga, de uma família especial pra mim e pra quem passa por perto...

Posted at Wednesday, March 15, 2006 by Xiru Sander Scherer
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10.2.06
Um buraco passou por aqui

Um buraco passou por aqui. Tu viu?

Pai, é verdade isso que aconteceu ontem?
Mãe, cade aquele carinho todo?

Eu vivo falando dessa doença que é a falta de amor e afeto por aí. E por aqui.
Carência carência
Felicidade é indecência
Mesmo sem doença, cura sempre vem bem. Curar a gente do mesmo, mesmo que doa. Nem isso não é preciso.

E falta mesmo. Veja nas ruas, olhe os olhares. Mas eu juntei um pouquinho aqui pra ti, pra colorir um pouco mais essas fotos, um pouco mais de saturação nas cores. Estavam bem bacanas, mas tô longe da perfeição. Sempre estarei. "O único que foi perfeito morreu crucificado". Não morri, tampouco me senti perfeito, mas também me senti na cruz, por não ter as palavras certeiras pra arejar as dúvidas da garotinha. Palavras, sentimentos..... nem sempre um corresponde ao outro. Dificil se explicar com palavras. Ruim se demonstrar com frases. Mas daqui deste buraco não tenho como mostrar o que dizem meus olhos.

Acordei com a forte sensação de o que aconteceu nesse ultima noite foi apensas fruto da minha imaginação. Muito improvável, muito sem pé-nem-cabeça, inacreditável. E o cheiro desapareceu. É, pode ser nonsense também. Seria bom que fosse. Seria bom que não fosse assim, mas essa coisa de inteligência, raciocínio, tem dias que só serve pra criar mal-entendidos. Pra que voltar atrás, né? É dificil se curar quando alguém magoa, é mais dificil ainda quando a pessoa magoa a si mesma sem se dar conta.

Mesmo sem doença, cura sempre vem bem. Curar a gente do mesmo, mesmo que doa. Desentendidos não se estenderam
se entenderam.
Mas aquele aroma que acorda os varios sentidos
(aqueles espalhados pelo não-corpo)
ainda não passou novamente por mim...

Posted at Friday, February 10, 2006 by Xiru Sander Scherer
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31.1.06
Óóó pra vocês!

Óóó pra vocês!


É cara, cansado mesmo. Cansado da ladainha. To com o Arnaldo:
"Eu não acho mais graça nenhuma nesse ruído constante que fazem as falas das pessoas falando, cochichando e reclamando,
O que eles querem mesmo é reclamar,
Como uma risada na minha orelha
ou como uma abelha, ou qualquer outra coisa pentelha
sobre as vidas alheias, ou como elas são feias
ou como estão cheias de tanto esconderem segredos que todo mundo já sabe
ou se não sabe desconfia..."

Todo mundo reclama. Eu reclamo. Eu TÔ reclamando! Mas não cabe mais no meu saco gentinha q reclama reclama reclama e não faz porra nenhuma. Serve praquela mala malcomida e serve pra malandrinho que adora dar lição de moral ouvindo as notícias, seja ele de esquerda ou de direita, conservador, revolucionário ou retrógrado. E agora, José? Ela veio reclamar da amiga, queimo ela que ficou um tição. Mas ja passou né, ninguém acertou as contas, e elas tão por aí passeando juntinhas. Pra que conversar se podem abafar e fazer de conta? Cara, longe de mim. Dai vem a outra e diz que vai ser amiga do Orkut, e dai semanalmente trenho direito a uma mensagem pronta, mandada para toda lista de amigos sem nenhuma distinção.

Eu quero me sentir bem, eu quero esquecer que tenho que cuidar o que falo quando to na hora de lazer. Então eu quero as boas companhias. Então hoje a noite vou vê-las, porque o Dudu tá de aniversário e vai todo mundo pra lá. Inclusive as pessoinhas de lingua afiada, mas lá é tanta gente boa (só ele já vale por dez) que forma uma proteção de energia boa ao redor da gente.


Pros outros pode parecer que acabou o gás. Abandono das palavras, abandono de alguma crença, sei lá. Minha crença nunca foi naquilo que todo mundo pensa. Ou quase todo mundo. "Try to hold some faith in the goodness of humanity". Não é dificil de entender. Mas não me peça fé em políticos. Fé no humano sim, no político não. Política tem (tinha) principio na participação, na repercussão do que tá sendo abafado, do que tá lá escondido tentando aparecer. Sabemos que não é assim. Então to fora dessa política, do teatro. To fora do debate, to fora dessa hipocrisia. Horario eleitoral discutindo idéias que depois ficam em décimo plano, abaixo dos interesses particulares. Então _|_ essa gente, to fora mesmo. Eu fico lá embaixo, tentando ouvir o que uns dizem a respeito do que tem de bom a flor da pele, e tentando entender o que é que eu devo dizer; o que é que eu tenho, o que é que eu posso sentir. Isso sim me interessa.

A imaginação ainda pega fogo, e fico onde tem ar pra combustão, porque pra podridão lá de cima não tem sentido um brilho. Eles lá, eu aqui, muito bem, obrigado. Não vou correr grandes aventuras por aquele mundinho. Não quero ser um Lula, nem um Diogo Mainardi, dois grandes personagens da novela. Não tem muita diferença entre uma coluna do Mainardi e de alguma qualquer da Contigo!. Novelinhas. Pode até ter alguma diferença no propósito de quem escreve, mas a repercussão é vazia igual. Voces vão ler e discutir, se indignar. Mas amanha tem capitulo novo, escandalo novo, eleição nova e ninguém mais sabe bosta nenhuma do que aconteceu no dia anterior.

Então nem tem porque pensar nesses holofotes. Eu satisfatoriamente viro pra minha vida mais sã, mais minha. A vida de chegar no final de semana e preenchar o vazio da morte de durante a semana com um belo banho de mar e boas companhias. Abstinencia mesmo, porque a melhor maneira de fazer o bem é se sentir bem sem precisar fazer o mal. Ã??? Não entendeu?

Posted at Tuesday, January 31, 2006 by Xiru Sander Scherer
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4.1.06
Às costas da imaginação

Às costas da imaginação

Feliz natal, feliz feliz!! Feliz Ano Novo!! Alegria alegria, esperança e angústia no terceiro mundo!!! Hohohohooh, sorriso amarelo, punk says "Santa Claus motherfucker", mas os esquecidos pelo Noel dizem "tomem no cu com seus estilinhos, rótulos e ideologias". "Punk é atitude", "grunge é atitude", mas a atitude no final das contas é copiar a roupa e os trejeitos. Os esquecidos dizem "tomem no cu com seus estilinhos, rótulos e ideologias", e também deveriam mandar se foder esse blog. Porque eu disse "Feliz Ano Novo" e nem desejei pra eles (como esqueci?). Desejei aqui e pra quem eu vi. Eles não vêm aqui, eles eu não vi. Melhor né? Assim ficou mais fácil esquecer deles por uns instantes. Eternos instantes. Bons instantes (como esquecer?).

Quem lembra deles? Deve ter uns heróis anônimos que lembram e fazem coisas impossíveis por eles. Ninguém vê. E eu também nem de todos ouvi "Feliz Natal" ou coisa do tipo. Velha história, quem menos fala pode ser quem mais deseja. Quem menos falou pode ser quem mais fez "pela causa". Ninguém viu quem deu o melhor do Natal. "O melhor do Brasil é o brasileiro", o melhor do Natal é o presente, o melhor do presente é a surpresa, a melhor surpresa é a presença. Sorte de quem tem. Foda-se quem não tem, né puuuuuuuuunk?! Santa Claus motherfucker, não trouxe meu jeans rasgado!

     

Presente presença, mas e quando falta? Não dá pra explicar. O cara é vegetariano e passa o ano só no verdinho. Churrasco parece insosso. Daí é só arrancar os cisos, ou ter qualquer bosta que impeça de morder, que bate aqueeele desejo de carne.Eu quero eu quero eu quero, eu também tenho fome, eu também sou filho de deeeeeeus! Mas nem sempre aquilo que conquistamos passa a ser nosso... Conquistar, cativar, não é tudo, é só o começo. Comer mata a fome, mas ela volta, por isso o paternalismo nunca funcionou direito. Fome de afeto também volta, por isso ideologias nunca funcionam direito. Tem momentos q eu fico preocupado que tu fique triste ou coisa parecida. Me evitar, sumir. Ou eu me sumir.

Então cada vez que tu responde um oi, me da uma coisa boa, um alivio. Mata mais um pouco da fome, mas o cheiro da comida as vezes só aumenta o apetite. "Daria um bom texto toda essa história... sabe que eu tbm tinha muita curiosidade de saber...". Sabe quando dá uma vontade de gritar beeeeeeeeeeeeeeeeeeem alto, por tu ter um problema que não tem como resolver? É o tipo de coisa que punks tinham na cabeça, além do moiocano, só que transformaram em fumaça de baseado e mijo e hugo de álcool. Mas eu não, então tem horas que quase entro em parafuso, porque não faço nada pra aliviar. Ou faço de outras maneiras, mas nem todas que tenho eu posso. Ou posso mas não devo. O diabinho diz pra ir, o anjinho diz pra se conter. Ou será o contrário? Quem sabe o bem na verdade é arriscar-se, perder a cabeça? Não seria muito dificil com toda aquela loucura ali comigo. "O diabo tenta, a faca entra", mas pode ser que "o anjo tenta, a língua entra".

O que foi pode ser de novo. Vou fechar os olhos e usar o que tenho de melhor...

Posted at Wednesday, January 04, 2006 by Xiru Sander Scherer
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